Um passo de cada vez.

Eu tenho sonhos. E por tê-los, eu não me sinto pé no chão.

Cá com meus botões ou sem nenhum, desnuda, penso:

– O que realizei até hoje nesta vida?

– Tanta coisa!

Desmoronei tantas outras que me mostraram uma areia movediça do viver. A vida se apresentou a mim de uma maneira tão fluida, tão sem preconceitos, conceitos pré-estabelecidos que nada são além de cascas, atas.

Sem falar em matemática, porcentagem…. Afinal, nada mesmo foi exato. Muito menos planejado. Foi acontecendo. Entre o desejo latente na mente somado a vários tropeços de sentimentos, e um vazio sentido de incapacidade. Uma luta interna guerreada entre nós desfeitos, apreços, nada pensado. Assim, fluido, vivido, calado.

– O que cá, aporta, dentro de mim, capaz de realizá-los? – Pergunto.

– Um coração aberto e uma vontade de viver esse mundo de maneira utópica, crendo na capacidade amorosa do ser humano rela (ou ralar) cionarmo-nos. – Responde o meu interior.

Simplesmente, porque a vibração conectada ao amor realiza. Realiza, também, vontade de ser feliz. Como?

Eu gosto de dançar. Essa sensação de me deixar, movimentar no ritmo e me levar.

Quando jovem, eu dançava em grupos de dança e compunha uma sala com várias pessoas.

Juntos, a coreografia era feita. E ela ficava cada vez mais bonita com mais pessoas participando e, ensaiando, claro! Suor! Muitas horas para que detalhes ficassem no ritmo, no pulso, na mesma altura para cada braço dançado.

Os experientes dançarinos, no intervalo, nos apresentavam uma coreografia solo. Lindamente! E nos apaixonávamos pelo fazer do outro. Quanta beleza!

Participei de ensaios, grupos, aulas, dancei! Foram várias apresentações em vários lugares e vi centenas de dançarinos melhores e mais bem preparados que eu.

Ah! Mas, eu me sentia feliz por estar naquela experiência de simplesmente me embalar. Sabia que talvez não chegaria mesmo ao break, aos loopings, ao plié e elevé do ballet, a melhor ponta que machuca tanto os dedos. Não sabia se meyu hobby viraria profissão, ou mesmo se meu esforço permaneceria além das horas que eu poderia estar com a dança. E, aos poucos, em mim mesma, me despedia.

O clima da arte sempre sobrepõe a competição. E por isso eu sou apaixonada pela arte que nos dá o direito de fazê-la, contemplá-la, nos apoderarmos dela. Ela cria uma atmosfera que eleva nossa dimensão humana animal, física, irracional e competitiva.

Com o tempo, novas experiências, quedas, dores, relacionamentos, amores incertos, perdas e ganhos, novos rumos e muita poesia, fui dançando o fazer da vida. E sabia, há uma escolha: tornar a experiência do momento um passo de dança e dar beleza ao tombo. Dança da vida.

Como?

Não tornar o ato, um ponto. Para toda queda leva-se algumas cicatrizes. Só as tem, quem as vive. Encaixe um passo, ao invés de ficar aí parado,esperando alguém te levantar. Às vezes há um braço, uma mão. Uma dança a dois. Outras, a dança é solo. Lindamente apaixone-se pela sua dança da vida.

Sei que, por vezes, só o passo da dança para a queda não funciona. É necessário, então. trocar de música. Ou mesmo trocar o ritmo.

E está tudo bem. Há diversos a escolher.

Afinal, trocamos de ideias, de ambientes, de casa.

Trocamos de roupa, de estilo, de modus operandi

Trocamos de vibração, da tripla-ação, da jornada da vida. Em ritmo, o silêncio, o estar, as pausas, também fazem morada no ciclo da vida.

Não somos reféns de nossas escolhas. Somos responsáveis pela ação passada, mas, também, pelo ser que engajamos em vida. Vida andada, alada.

Simplesmente, entenda: a vida não é guerrear.

Ela pode ser uma peça teatral, uma apresentação de dança, um musical.

Para dançar o viver, mais importante que competir é saber fluir. Consciente, consistente. Há muita sabedoria e densidade no ser que flui.

Escolhas.

A principal é saber que a sua música de vida, a sua música Divina, o seu ritmo destoa, numa dança solo. Ou em par.

Dance a sua existência.

Em caso de dor, dance. (frase nas intervenções urbanas pelo projeto coletivo transverso nas ruas de Brasília)

Julia Scheibel

Mestre em Comunicação com ênfase em Com. Organizacional. Possui MBA em Gestão da comunicação nas Organizações e graduação em Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista (2003) com certificado de honra ao mérito pelo projeto Experimental RANTEC - Tecnologia em Ranicultura. Atuou nas áreas de comunicação das instituições públicas: Ministério da Educação, na Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico pelo Programa PNUD, na Assessoria de Comunicação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e no Ministério da Cultura. Há 10 anos no Sistema Indústria, iniciou na Gerência de Relações Públicas em organização de eventos de grande porte, gestão de softwares e projetos de relacionamento e hoje atua na gestão orçamentária, planos de ações, pareceres sobre pesquisas e gestão da comunicação da Diretoria de Comunicação do Sistema Indústria - CNI, SESI, SENAI. Atua também, como atendimento às entidade, na gestão e coordenação das apresentações diferenciadas dos Diretores e Presidência do Sistema Indústria.

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