Conhecimento ou decoração? Sobre o que se faz da gente ou o que a gente faz

A educação se esqueceu de educar. Vivemos a fase da infância a decorar: cores, números, tabuada, rotinas, passos. Decoramos nosso interior com a maior quantidade de processos e aprendizados que nosso cérebro possa abarcar. Vivemos sentimentos variados, mas a rotina não nos deixa digeri-los.

A educação se esqueceu de educar. Vivemos a fase da infância a decorar: cores, números, tabuada, rotinas, passos. Decoramos nosso interior com a maior quantidade de processos e aprendizados que nosso cérebro possa abarcar. Vivemos sentimentos variados, mas a rotina não nos deixa digeri-los. Logo, o sono deve chegar, sem tempo de conversar. Conversar na infância? Só na hora certa! É na escolinha, chegada da turminha, na volta do final de semana, na rodinha de retorno das férias. Mas o viver e contar, explanar, não há tempo que sobra. Nem o pó acumulado, a tempo de espanar.

E vamos acumulando… Sentimentos, dúvidas, vontades que por muitas vezes não conhecemos a fundo. Por quê? Porque não ocorreu o ócio necessário a decifrá-lo… Antes do ócio criativo (passo seguinte já na completude do ser) o ócio de Ser, do conhecimento pessoal. Conhece-te a ti mesmo, primeiro. Antes dos celulares, da “galinha pintadinha”, da Disney, dos games… O vento, o ar a respirar. Quem consegue sozinho, contigo, estar?

Pais e mães se perdem na necessidade de tudo ofertar (tamanha a competição acirrada do mundo contemporâneo). A ação está mesmo naquilo que te oferecem, nesse fazer… O que se faz é amar? Às crianças, deixai o externo. Afinal, o interno ainda não maturado e colhido está a germinar. O que temos, então, a ofertar? Habilidades, competências, fluxos desenhados, rotinas decoradas? Na infância estamos a conhecer, cresce: corpo, mente e espírito. Quando adultos, nós jamais conseguiremos ler todos os jornais, notícias, assuntos, e fazer todos os cursos que nossas habilidades poderiam nos levar. Então, na infância… Por que determinar aprendizados cognitivos, habilidades motoras, lógica de programação, assim tão cedo? Um ser precisa tocar, conhecer, entender enquanto vive o seu amadurecer. Afinal, somos eternos aprendizes. Adultos e crianças, na escola da vida.

Julia Scheibel

Mestre em Comunicação com ênfase em Com. Organizacional. Possui MBA em Gestão da comunicação nas Organizações e graduação em Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista (2003) com certificado de honra ao mérito pelo projeto Experimental RANTEC - Tecnologia em Ranicultura. Atuou nas áreas de comunicação das instituições públicas: Ministério da Educação, na Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico pelo Programa PNUD, na Assessoria de Comunicação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e no Ministério da Cultura. Há 10 anos no Sistema Indústria, iniciou na Gerência de Relações Públicas em organização de eventos de grande porte, gestão de softwares e projetos de relacionamento e hoje atua na gestão orçamentária, planos de ações, pareceres sobre pesquisas e gestão da comunicação da Diretoria de Comunicação do Sistema Indústria - CNI, SESI, SENAI. Atua também, como atendimento às entidade, na gestão e coordenação das apresentações diferenciadas dos Diretores e Presidência do Sistema Indústria.

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